7 de setembro de 2013

Nas loucuras e crônicas de Nanda - Parte II


Ela se coça, mas não envia, afinal de contas Nanda já cansou de insistir nesse amor. Um amor difícil. Uma história complicada, cheia de altos e baixos.
Ela não desistiu, ela não é de desistir das coisas, mas acaba cansando. E nesse momento ela está deixando esse amor para trás. Ela está em busca do amor próprio que perdeu um pouco ao longo desse um ano de namoro, ou do pouco de amor próprio que nunca teve durante toda a vida.

Ao chegar no aeroporto Nanda embarca para o primeiro destino: Paris.
E é nessa hora que você se pergunta, como ela conseguiu dinheiro e como vai viajar assim, sem ninguém saber?!!
Nanda é uma garota rica, tem sempre dinheiro a disposição, uma conta bancária recheada. E normalmente ninguém da família presta atenção na verdadeira Nanda, nem no que ela faz ou deixa de fazer (desde que o que ela faz não prejudique a imagem da família). Então a essa altura ninguém deve ter sentido falta dela.
Nem Rafael.
Como a viagem para Paris demora Nanda resolve se torturar um pouco, lendo mensagens antigas, do tempo que o namoro foi maravilhoso, mensagens do começo, do começo de tudo. E encontra também mais alguns textos, entre eles, esse:

  •   Eu sei que não fiz o suficiente por nós.
            Fiz mais do que achava que poderia fazer.
            Mas não o suficiente, porque eu sei que poderia ter feito muito mais.
            Não fiz por medo.
            Medo até de tentar.
            Por medo de errar acabei errando ainda mais.
            Por medo, acabei não fazendo.
            Por medo acabei não sendo.
            Por medo de te perder, acabei te perdendo.


Nanda acaba dormindo um pouco, e quando acorda ainda não chegou em Paris. Ela sonhou com ele. Os dois juntos. Um abraço. Ela chora, com a falta que um abraço faz.
Talvez durante essa viagem Nanda esteja tendo todos os momentos nostágicos possíveis. Talvez uma forma de desapegar um pouco do passado e da historia, para construir um novo futuro, com novas historias, uma nova vida. Ela acredita que o único jeito de se livrar de algo é enfrentando. E ela resolve enfrentar as lembranças das quais fugiu durante certo tempo. Decide viver essas lembranças um pouco para poder construir novas lembranças sem o peso de outras.
Então ela resolve ler, ler mais tudo que já escreveu. E o que ela acha mais engraçado é que certos textos, depois de tanto tempo, nem parecem ter sidos escritos por ela.

Continua...

Renata Rodrigues





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